Após 6 meses de governação de esquerda na autarquia tomarense, é momento de analisar a actual situação política entre nós. O Partido Socialista que tanto criticou o passado do PSD por diversas formas e múltiplos argumentos, entrou agora na sua fase de governação estalinista, em que as manobras de propaganda dominam o quotidiano. Aquilo que salta mais à vista, é ausência de ética e, sobretudo, a ausência de capacidade para assegurar um patamar elevado na discussão política, e abordar as questões que realmente interessam ao Concelho e à Cidade.

  Muito se tem falado do famoso “buraco” nas contas da autarquia tomarense, que teria sido deixado pelo PSD. Como membro da Comissão Politica do PSD, não entendo apropriado pronunciar-me sobre esse assunto. Todavia, apelo e faço votos para que se descubra a Verdade. E como defensor da Verdade, devemos aguardar serenamente, pelo apuramento de conclusões, através de uma entidade independente. Porém as últimas notícias que temos sobre o tema só reforçam a convicção que a concelhia de Tomar do Partido Socialista está a usar tácticas políticas que desconhecem ética e não conhecem nem pudor nem a moral.
  E nesse campo a concelhia exibe mais um registo lamentável. É que esperou por um momento para si politicamente difícil, oportunista portanto, para anunciar o famoso “buraco”. Será que nos próximos meses de mandato esperemos sempre que a desculpa será do “buraco” qua afinal parece que não chegou a ser nem a existir? Mas era previsível que algo deste género estivesse nos “trunfos” socialistas. 
  Infelizmente em Portugal quando uma autarquia muda de cor politica, aparecem sempre casos deste género. Não queremos com isto dizer que o passado camarário tenha erros ou não tenha cometido erros. Porque a verdade todos nós queremos saber. Mas usar este tipo de comportamentos e de argumentos premeditados e com objectivo claro de esconder a inércia, a falta de estratégia e de visão, bem como promessas falhadas que todavia originaram a vitória socialista no concelho, é demasiado óbvio e atira a prática política para níveis de reprovação.
  Há duas semanas fomos brindados com um comunicado do Partido Socialista, que tentava dar resposta a uma conferência de imprensa do PSD. Um comunicado com algumas incoerências e com insinuações graves. Todas as palavras escritas com um só sentido denegrir ao máximo, e fazer o julgamento prematuro ao “réu” antes de o ser.
  Revolta-nos esta maneira de fazer política. Em especial a total falta de ética, talvez por desconhecimento, eventualmente por (de) formação. Lemos no comunicado “porque parece ser uma actuação recorrente e histórica entre alguns políticos e autarcas do PSD, como há vinte anos aconteceu com Miguel Relvas, exige-se saber publicamente se não há actualmente autarcas do PSD em Tomar que tenham usado da “dança” das moradas, com objectivos de ou enganar os eleitores em eleições ou para posteriormente “melhorarem” as senhas das reuniões a que estão obrigados.” Este discurso é de uma baixeza enorme, e poderíamos dizer de um amadorismo confrangedor, de quem tem o vício de acusar gratuitamente, quando no quadrante partido socialista existem tantas telhas…de vidro e telecomunicadas.
  Pergunto, até quando esta propaganda ridícula? Importa por exemplo recordar, que há bem pouco tempo foram saneados 4 dirigentes da Câmara Municipal sem uma justificação plausível nem consistente. Ou que na Assembleia Municipal encontramos o espelho da falta de ética e de falta desrespeito por aquele Orgão, quando 3 Deputados da Bancada do PS na Assembleia Municipal têm responsabilidades camarárias em simultâneo. Ou ainda que um desses deputados tem a responsabilidade de ser chefe de gabinete (com uma delegação de poderes imperial) enquanto é marido da senhora Presidente, deixando assim em causa uma vez mais, a falta de senso. Também não podemos esquecer que Tomar vai perder um Evento importante para o Turismo do Concelho, devido à falta de capacidade ou à pouca vontade de trabalho, talvez ao facto do Festival das Estátuas ser uma criação do Executivo PSD. É claro que também há casos, e muitos, de promessas que foram feitas mas que estão a ser habilmente esquecidas, e incumpridas, como o caso do Flecheiro, ou o caso da reabertura do Mercado. E mais. Por certo, com a quantidade de informação que por via da comunicação social/redes sociais é difundida pelo PS local e seus agentes, percebe-se que o trabalho de propaganda tem escola.  
  Em vez de ser atacada a resolução real dos problemas do Concelho, pautada por uma estratégia de desenvolvimento coerente, ao invés, existe uma estratégia que nem é coerente, nem incoerente.
  E cabe agora perguntar publicamente qual é a posição da Câmara quanto ao novo quadro comunitário que Tomar tem para aproveitar e valorizar? Não podemos esquecer que o novo ciclo de fundos comunitários estão maioritariamente virados para as PME, investigação, emprego, mobilidade e aprendizagem ao longo da vida. O novo programa “2020”, terá apenas 10 a 15% de verbas para intervenção física no território. Qual é a estratégia de especialização inteligente para Tomar, ou onde Tomar será inserida? Quais os seus vectores estratégicos? Quais são os seus parâmetros de referência?
Onde estão os Programas? Onde e quando foi feito o Debate Publico de matérias tão decisivas para o nosso futuro colectivo?  
  Quero com isto dizer, a abordagem dos fundos comunitários vai permitir avaliar a visão e a capacidade estratégica deste Executivo, ou a falta delas, nos próximos tempos. E a coligação da esquerda de Tomar tem a responsabilidade de definir e apresentar aos cidadãos a sua estratégia e os respectivos objectivos. Será que está à altura do desafio? Até agora temos registado apenas saneamentos, actos de demagogia gratuita, desrespeito por órgãos autárquicos, e alguns tiques estalinistas….Veremos até quando.
   António Pedro Costa
Membro da Comissão Política do PPD/PSD