Estão a ser construídos os programas dos partidos políticos para as eleições de Outubro próximo. É por isso oportuno recordar temas que possam figurar nesses programas, por exemplo, os que têm a ver com a promoção de equilíbrios sociais e económicos no território nacional. Sem essa promoção, podemos temer que o Portugal de amanhã exista apenas à beira mar.
Destaco hoje o conceito dos “espaços de baixa densidade”, que veio substituir o de “territórios do interior”. Seja qual for a designação, o que é certo é que existem faixas do território com cada vez menos pessoas e menos actividades, e onde é patente que a presença humana tem tendência a desaparecer. Existe um sentimento de perda, que leva a reclamar a aplicação de medidas de descriminação positiva, na tentativa de recuperar população e actividade. Exemplos positivos, são a isenção de portagens no trânsito local, ou a aplicação de incentivos fiscais ou outros para atrair empresas e criar empregos. Exemplo negativo, e disparatado, temos um recente em Tomar, onde o preço da água foi muito aumentado e é um dos mais altos do País.
Existe também implícito outro conceito, o de “justiça espacial”, que carece de medidas que lhe dêem expressão concreta. Entre essas medidas figura a correcta valorização dos activos existentes nesses espaços de baixa densidade.
Ora bem, e em Tomar?
Temos no Concelho pelo menos um activo cujo uso e fruição poderão não estar a ser devidamente compensados. Tenhamos em atenção que a água da albufeira do Castelo do Bode é utilizada para uma empresa privada produzir e vender energia, e é captada para uma empresa pública a vender a vários milhões de pessoas.
Colocam-se duas questões.
·         até que ponto é justo e razoável que os municípios e os habitantes ribeirinhos da albufeira sejam compensados pelo uso e venda de um bem publico que é armazenado e captado no seu território?  
·         que compensações poderão ou deverão existir neste caso para os concelhos das margens da albufeira, que são na sua maioria de “baixa densidade”?
Vivemos presentemente o momento indicado para responder a tais questões, e para consagrar as respostas nas propostas políticas da campanha eleitoral que se avizinha.
As possibilidades de dinamizar os territórios, todos os territórios, têm que ser apreciadas a partir das circunstâncias concretas de cada um. A partir do conhecimento dos problemas e das possibilidades existentes em cada caso, e num contexto de justiça espacial.