Analisando o Orçamento apresentado e aprovado pela maioria de esquerda que “governa” o nosso concelho pode-se constatar que este é um Orçamento de mais do mesmo, mantendo a mesma linha dos orçamentos anteriores.

Ao nível da Despesa Corrente não se pode deixar de referir que continuam a aumentar as despesas em Estudos e Pareceres (350.000€) e em Outros Trabalhos Especializados (860.000€), isto é continua-se a esbanjar dinheiro em áreas em que a Câmara tem pessoal habilitado para o fazer.

Quanto às Receitas e Despesas de Capital, estas têm tido nos últimos anos uma redução sistemática e significativa o que tem resultado num investimento quase inexistente.

No orçamento para 2017 estes valores mantêm-se, o que vem novamente demonstrar que não existe planeamento estratégico para o desenvolvimento do concelho.

A falta de Estratégia é comprovada também pelo atraso na apresentação de projectos ao Portugal 2020, que terá consequências graves no crescimento, progresso e afirmação do nosso concelho na região.

Na Grandes Opções do Plano não se vislumbram medidas assentes numa estratégia para o Concelho de Tomar. Foram apresentados um conjunto de projectos sem que haja garantias de financiamentos e da sua concretização.

Pode-se verificar que na sua maioria não passam de um conjunto de intenções, uma vez que não têm reflexo no orçamento, ao nível da despesa de capital (investimento).

Certamente que em ano de eleições iremos ouvir muito falar nestes projectos/intenções, conforme já foi referido pela Srª Presidente da Câmara, que eventualmente terão início as obras de Palhavã e Várzea Grande na altura das eleições.

Contudo, o que os Tomarenses pretendem ver é uma Câmara activa que promova o desenvolvimento económico, atraindo empresas e que haja criação de emprego.

Se analisarmos o conjunto de projectos/ intenções apresentados, não se vislumbram propostas em termos de desenvolvimento económico e de atracção de investimento, apesar de este ser um dos grandes objectivos referidos pela Srª Presidente na apresentação do Orçamento (Desenvolvimento Urbano e Económico).

Neste orçamento foi apresentado um aumento de verbas para as Freguesias, desejo de qualquer Presidente de Junta e de todos os fregueses.

Contudo, é bom que realmente assim seja, pois o que temos visto até então é que a coligação PS/CDU utiliza os recursos da Autarquia em prol de uma política propagandística, onde as Freguesias do Concelho de Tomar não são tratadas da mesma forma e sem que se consiga saber efectivamente quais as verbas que são atribuídas a cada uma dessas Freguesias.

O modelo utilizado de Acordos de Execução e de Contratos Inter- Administratrivos realizados entre a CMT e as Freguesias tem permitido à coligação PS/CDU chamar a si os louros das obras realizadas nas Freguesias (vejamos as notícias e fotos nos jornais), quando sabemos que muitas dessas obras são resultado do trabalho e de verbas pertencentes às Juntas de Freguesia.

As Juntas de Freguesia têm um papel fundamental na promoção do desenvolvimento local, potenciado, sobretudo, pela sua proximidade às populações, onde existem excelentes autarcas, pessoas empenhadas e dedicadas na prossecução do interesse público e na defesa das suas populações, pelo que as freguesias deveriam ter mais poder, mais competências e mais responsabilidades.

Após a análise do Orçamento do último ano de mandato, pode-se concluir que esta coligação PS/CDU não tem um Rumo definido para Tomar. Tal ficou bem patente nas declarações proferidas pelo ex-Chefe de Gabinete da Srª Presidente e pelo ex-Vice-Presidente, tendo mesmo este último referido não ter confiança nesta liderança política e não reconhecendo credibilidade para liderar os destinos do concelho.

Com uma visão diferente e novos agentes dinamizadores é possível elaborar e concretizar uma Estratégia para Tomar, que corresponda às expectativas da população, em matérias como o desenvolvimento económico, emprego, desenvolvimento de políticas sociais e projecção cultural e turística do concelho, pois Tomar tem todos os recursos (patrimoniais, culturais e naturais) necessários para ser uma referência regional, nacional e internacional.

Carlos Sérgio
Vogal da Comissão Política do PSD